Na inseminação
artificial ou inseminação intra-uterina, os
espermatozóides são selecionados e introduzidos
no útero, no momento mais próximo possível
da ovulação. Pode ser realizada no ciclo natural
(sem indução) ou com indução
da ovulação (emprego de hormônios para
produzir um ou até vários óvulos).
Apesar do risco de gravidez múltipla, a chance de
ter bebê no ciclo estimulado é pelo menos 3
vezes maior que no ciclo natural.
Está indicada principalmente para casos onde a mulher
tem até 34 anos e o espermograma (exame do sêmen)
do parceiro está discretamente alterado. Indicada
também para mulheres que apresentam fatores cervicais,
que possam dificultar o acesso de espermatozóides
à cavidade uterina (pólipo cervical, cisto
de Naboth, muco espesso ou hostil, sequela de cirurgias
como conização do colo, etc.).
Indicada ainda no passado
para mulheres sem parceiros (produção independente)
ou em casos onde o parceiro é azoospérmico
(sem espermatozóides na ejaculação),
com sêmen de doador, com características escolhidas
numa listagem, adquirido congelado de bancos de sêmen.
Como a motilidade e sobrevida dos espermatozóides
sofrem acentuada perda no processo de congelamento, para
amostras congeladas, aqui na clínica hoje, recomendamos
a técnica de injeção intracitoplasmática
de espermatozóide (icsi), que necessita de apenas
um espermatozóide vivo para cada óvulo, contornando
assim o problema.
Não está indicada para quem apresenta fatores
mecânicos (sem as trompas, trompas obstruídas,
trompas ligadas, trompas dilatadas, trompas aderidas, hidrossalpinge,
já tiveram gravidez tubária, aderências
peritoneais, endometriose, ovários policísticos
e mais de 30 anos, cistos nos ovários, já
fizeram cirurgia de reanastomose tubária mas não
engravidaram, etc.) nem para casos onde o espermograma está
muito alterado. Também não recomendamos para
mulheres acima de 34 anos, pois não permite observar
os óvulos, saber se fertilizam e nem avaliar a qualidade
dos embriões (óvulos fertilizados). Os óvulos
perdem qualidade com a idade e só podemos avaliar
se estiverem fora do corpo. É sabido também
que com o envelhecimento, a zona pelúcida (membrana
que reveste os óvulos e embriões) torna-se
mais espessa e mais dura, o que pode dificultar a penetração
de espermatozóides, mesmo os de excelente qualidade.
A inseminação artificial ou intra-uterina
é mais simples e menos invasiva que outras técnicas,
já tendo sido nosso carro-chefe nos anos 80, mas
por ter chances de êxito (bebê) bem inferiores
às obtidas com técnicas um pouco mais complexas,
como a fertilização in vitro convencional
(fiv) ou a injeção intracitoplasmática
de espermatozóide (icsi) e ainda pelo elevado risco
de gravidez múltipla de alta ordem (trigêmeos,
quadrigêmeos, etc.), raramente a realizamos hoje em
dia.