A técnica de fertilização
in vitro convencional (fiv), fecundação in
vitro ou bebê de proveta, na linguagem popular, se
tornou realidade a partir do nascimento de Louise Brown,
na Inglaterra, em 25 de Julho de 1978. Essa conquista devemos
ao empenho incansável de dois cientistas (Patrick
Steptoe e Robert Edward), que lutando contra a mídia,
que os chamava de malucos e pretenciosos, por tentarem realizar
algo que só Deus poderia fazer, insistiram por dez
anos na técnica, até conseguirem o primeiro
bebê de proveta. A eles devemos o grande passo, que
permitiu o incrível avanço da medicina nesse
campo.
Está indicada para pacientes com fatores mecânicos
(sem as trompas, trompas obstruídas, trompas ligadas,
trompas dilatadas, trompas aderidas, hidrossalpinge, já
tiveram gravidez tubária, aderências peritoneais,
endometriose, ovários policísticos e mais
de 30 anos, cistos nos ovários, Já fizeram
cirurgia de reanastomose tubária mas não engravidaram,
etc.), onde a mecânica do processo de captura e transporte
do óvulo está comprometida.
Quando uma trompa apresenta sequela de processo inflamatório,
está obstruída, dilatada ou dilatada, inflamada
e obstruída (hidrossalpinge), ainda que a outra esteja
aparentemente sã, é bem provável que
já venha sofrendo do mesmo problema, mas o grau de
acometimento ainda não permite o diagnóstico
com exames. A mucosa que reveste as trompas internamente
é constituída por células altamente
especializadas, que além de produzirem substâncias
necessárias para a fertilização dos
óvulos e desenvolvimento dos embriões (óvulos
já fertilizados), também têm cílios,
que se movem de forma sincronizada, para transportar o óvulo,
da extremidade distal (onde seria fertilizado) até
a cavidade uterina. Esse transporte leva de 4 a 5 dias.
Alguns processos inflamatórios são tão
intensos que resultam na obstrução da trompa.
Outros, apesar de não causarem obstrução,
pelo menos a curto prazo, podem fazer com que as células
percam esses cílios. Assim, embora não estejam
obstruídas, não conseguem transportar o óvulo
fertilizado até a cavidade uterina e portanto não
ocorre gravidez.
Embora muitas mulheres optem pelas cirurgias de reanastomose
tubária, desobstrução tubária,
videolaparoscopia e cauterização de focos
de endometriose com lise de aderências, remoção
de cistos de endometriose, etc., menos que 30% delas conseguem
ter bebês após tais procedimentos cirúrgicos.
Essas pacientes (70% das que fizeram cirurgias) acabam procurando
as clínicas de reprodução assistida
e muitas em idade onde as chances de terem êxito,
mesmo com as técnicas mais sofisticadas, são
pequenas.
Quando as trompas são religadas ou desobstruídas,
no local da emendada ou onde estava a obstrução,
forma-se uma cicatriz, que além de estreitar o canal
tubário, é constituída por células
sem cílios. Ambos os fatores contribuem para a retenção
do embrião nesse ponto. Nesses casos, o risco de
ter uma gravidez ectópica tubária (gravidez
na trompa) é vinte vezes maior que em mulheres com
as trompas saudáveis.
Se o espermograma (exame do sêmen) é bom e
o homem é comprovadamente fértil (tem filhos
ou já engravidou uma mulher), a fertilização
in vitro convencional (fiv) é suficiente. A técnica
fiv, nos primeiros anos era realizada em ciclos naturais,
mas as taxas de êxito (bebê) por tratamento
giravam em torno de 5%. Hoje, em quase todos os tratamentos,
os ovários da mulher são previamente estimulados
com hormônios, para produzir vários óvulos
ao invés de apenas um. Assim vários embriões
(óvulos fertilizados) são produzidos. Transferindo-se
mais que um embrião para o útero, após
selecionar os mais aptos, as chances de êxito aumentam
muito.
Quando maduros, esses óvulos são aspirados
dos ovários, através de uma agulha, guiada
por ultra-sonografia transvaginal e levados para o laboratório.
Após um processo de seleção, os melhores
espermatozóides são colocados em contato com
os óvulos (inseminação dos óvulos)
e mantidos juntos, em meios de cultura numa incubadora,
por aproximadamente 18 horas, quando então examinaremos
os óvulos num microscópio, para verificar
se ocorreu fertilização.
Os óvulos fertilizados (zigotos e embriões),
cultivados separadamente no laboratório, são
avaliados e classificados diariamente, por características
microscópicas. Os melhores embriões são
geralmente transferidos para o útero, 2 a 4 dias
após a coleta dos óvulos. Quando muitos embriões
de boa qualidade foram produzidos e principalmente se a
mulher é mais jovem, costumamos postergar a transferência
de embriões, para o 5º, 6º ou 7º dia
após a coleta dos óvulos, mantendo-os em cultura
para blastocistos. Como menos da metade dos embriões
têm qualidade para atingir o estágio de blastocisto,
podemos assim fazer uma seleção mais rigorosa,
transferindo menos embriões, reduzindo o risco de
gravidez múltipla e mantendo uma boa taxa de êxito.