A fiv e a icsi ainda são
empregadas nos casos onde se pretende fazer diagnóstico
genético pré-implantacional (PGD). O Diagnóstico
Genético Pré-Implantacional (PGD) consiste
em remover 1 ou 2 células de cada embrião
(geralmente 3 dias após a coleta dos óvulos),
com o auxílio de um microscópio de micromanipulação,
para estudos genéticos, antes de serem transferidos
para o útero. O objetivo é selecionar embriões
com menor risco de gerar crianças deficientes, bem
como diminuir a taxa de abortos de causa genética.
Com apenas uma ou duas células para teste em cada
embrião (a remoção de mais células
comprometeria a sobrevida dos embriões), não
é possível pesquisar todos os cromossomos.
O fenômeno conhecido por mosaicismo, comum nos embriões,
caracterizado pela desigualdade no conteúdo de DNA
nas diferentes células do embrião, gerado
no momento de uma divisão celular imperfeita, também
impede a certeza do resultado, pois a célula testada
pode ser geneticamente diferente das outras. Essas células
podem ser examinadas por dois principais métodos:
1 - PCR (Polimerase Chain Reaction). Permite detectar mutações
gênicas (quando apenas um gene ou alguns genes estão
comprometidos). Sua limitação, pelo menos
por hora, além do custo, é que tendo apenas
1 ou 2 células para exame, deve ser direcionado para
uma mutação, já identificada em familiares
dos pacientes e portanto não evita outras mutações,
pois que não teriam sido testadas (possuímos
em torno de 25.000 genes). Num futuro relativamente próximo,
é possível que estejam disponíveis
no mercado, kits conhecidos por Ships de DNA ou Microarray,
que possibilitarão investigar milhares de mutações
gênicas simultaneamente, numa única célula.
2 - FISH (fluorescence in situ hybridization). Os cromossomos
são marcados com sondas fluorescentes e examinados
com um microscópio de fluorescência. Permite
detectar mutações no número de cromossomos
(anomalias cromossômicas numéricas), como triploidias
(69 cromossomos ao invés de 46), tetraploidias (92
cromossomos ao invés de 46), monoploidias (23 cromossomos
ao invés de 46) e aneuploidias (quando apenas um
ou alguns cromossomos se encontram em número alterado).
As poliploidias (triploidias e tetraploidias) e monoploidias,
embora muito freqüentes, são de menor interesse
clínico, pois não nascem crianças,
devido a gravidade das mutações. As aneuploidias
ocorrem mais ou menos na mesma freqüência em
todos os cromossomos, mas são de maior interesse
clínico as que envolvem cromossomos pequenos (o cromossomo
1 é o maior deles, seguido do 2, do 3 e assim por
diante), com menor número de genes, por permitirem
o nascimento de bebês com vida e deficientes. As trissomias
(ao invés de 23 pares de cromossomos, teríamos
22 pares e uma trinca de um dos cromossomos) e as monossomias
(22 pares de cromossomos e 1 cromossomo sem par) ocorrem
em proporções iguais, mas como é mais
fácil nascer um bebê com excesso de cromossomos
do que com falta, as trissomias são de maior interesse
clínico que as monossomias. Dentre as trissomias,
as mais importantes são a Síndrome de Down
(trissomia do cromossomo 21), Síndrome de Edwards
(trissomia do cromossomo 18), Síndrome de Patau (trissomia
do cromossomo 13), Síndrome de Klinefelter (cromossomos
X extras), Genótipo 47,XYY (2 cromossomos Y ao invés
de apenas 1), Genótipo 47,XXX (3 cromossomos X ao
invés de apenas 2). A monossomia de maior importância
clínica é a Síndrome de Turner (apenas
1 cromossomo X ao invés de um par). Há ainda
como testar anomalias cromossômicas estruturas, tais
como deleções (quando falta parte de um ou
mais cromossomos), translocações (quando pedaços
de dois cromossomos estão trocados entre si), inversões
(quando parte de um cromossomo tem sua posição
invertida) e duplicações (quando parte de
um cromossomo está duplicado), mas para tais pesquisas
precisamos utilizar kits especialmente desenvolvidos para
essas anomalias e para os respectivos cromossomos. Entre
80 e 85% dos embriões com mutações
cromossômicas numéricas, podem ser eliminados
numa rotina convencional de FISH, utilizando-se o kit de
sondas conhecido por MultiVysion PGT Multi-color Probe Set.
O FISH também permite saber o sexo dos embriões.
O método ideal para seleção de sexo,
deveria separar com 100% de acerto os espermatozóides
Y (geradores de meninos) dos espermatozóides X (geradores
de meninas). Assim, todos os óvulos obtidos seriam
fertilizados com espermatozóides do sexo desejado,
produzindo um bom número de embriões, evitando
o descarte de embriões do sexo indesejado e garantindo
uma boa taxa de gravidez. Deveria ser pouco invasivo e ter
baixo custo. Esse método não existe. Uma técnica
que vem sendo desenvolvida há vários anos
(Microsort), ainda não está no mercado, mas
como envolve a tecnologia de citometria de fluxo, seguramente
não deverá ser barata, pois o equipamento
para citometria de fluxo é muito caro. Outros métodos
divulgados por profissionais da área, propondo separar
os espermatozóides Y dos espermatozóides X,
não conseguem desviar nem mesmo em 5% a proporção
de meninos e meninas. Tais métodos são relativamente
simples e podem ser incluídos na técnica,
sem nenhum custo adicional. Com o FISH a seleção
de sexo é acertada em praticamente 100% dos casos.
Há no entanto algumas desvantagens:
1 - Só pode ser realizado com fertilização
in vitro convencional (fiv) ou injeção intracitoplasmática
de espermatozóide (icsi), já que os embriões
são examinados antes da transferência para
o útero. Isso torna o método mais caro e mais
invasivo;
2 - Não permite decidir previamente se os óvulos
serão fertilizados por espermatozóides X ou
espermatozóides Y, mas sim saber se os embriões
(óvulos já fertilizados) são XX (menina)
ou XY (menino). Isso leva ao descarte dos embriões
do sexo não desejado, o que vai contra as normas
éticas do Conselho Federal de Medicina, além
de reduzir as chances de produzir bebês, uma vez que
aproximadamente metade dos embriões produzidos terão
o sexo indesejado e não serão transferidos
para o útero. Pode acontecer de todos os embriões
com boa qualidade serem do sexo indesejado, não havendo
nada para transferir.
3 - As sondas fluorescentes são caras e o método
ocupa todo um dia de trabalho, o que torna seu custo elevado.
O PGD, com finalidade exclusiva de escolher o sexo do bebê,
é tema bastante polêmico. O Conselho Federal
de Medicina, em sua Resolução nº 1.358
de 1992, que estabelece Normas Éticas, a serem seguidas
por profissionais médicos, que atuam em reprodução
assistida, considera a técnica antiética,
pois acarreta no descarte de embriões do sexo indesejado.
Uma forma de contornar a questão, seria por exemplo
a doação dos embriões de sexo indesejado
para outros casais (solução mais ética)
ou mesmo para pesquisas, após terem permanecido congelados
por pelo menos 3 anos (menos antiética que descartar
embriões, mas ainda assim antiética). Estamos
equipados para realizar o PGD, que permite conhecer o sexo
dos embriões, embora seu emprego em nossa clínica
seja com intuito de evitar doenças. Poderemos ajudar
na escolha do sexo do bebê, mas se conseguirmos encontrar
uma solução ética.
Aqui no Rio de Janeiro, o Dr. Antonio Eugenio Magarinos
Torres foi pioneiro no PGD com a técnica FISH, com
todo o processo realizado dentro de sua clínica e
pessoalmente, ao final de 2005. A maioria das clínicas
realiza apenas a biópsia embrionária e envia
as células para serem examinadas em clínicas
especializadas em técnicas de genética.