Até o final dos anos
80, a transferência de embriões, na grande
maioria das clínicas, era realizada 2 a 3 dias após
a coleta dos óvulos, pois que os meios de cultura
existentes na época não ofereciam condições
para o desenvolvimento dos embriões além desse
estágio (embriões com até 8 células).
Na década de 90, alguns cientistas conseguiram bom
desenvolvimento de embriões além do 3º
dia, cultivando-os em meios de cultura ao lado de diferentes
tipos de células. Esse processo, conhecido por cocultura,
se baseia no princípio de que essas células
produzem fatores de crescimento, que estimulam o desenvolvimento
dos embriões até 5 a 7 dias após a
coleta dos óvulos, permitindo que atinjam o estágio
de blastocistos. O objetivo desse processo é permitir
uma seleção mais rigorosa dos embriões
a serem transferidos, pois que só os mais aptos chegam
a blastocisto (menos de 40% dos embriões). Assim,
quando a paciente produziu muitos embriões de boa
qualidade e principalmente se é mais jovem, conseguimos
manter uma boa taxa de êxito (bebê) transferindo
poucos blastocistos, reduzindo drasticamente o risco de
gravidez múltipla.
O processo era bastante trabalhoso, mas acreditando nas
suas vantagens e preocupado com os inúmeros casos
de gestação múltipla na clínica,
o Dr. Antonio Eugenio Magarinos Torres passou a utilizar
a cocultura em quase todos os tratamentos, conseguindo,
em Setembro de 1998, o primeiro bebê no Rio de Janeiro
e se não o primeiro do Brasil, um dos primeiros,
após cultura e transferência no estágio
de blastocisto.
A cultura para blastocistos se difundiu no final dos anos
90, principalmente depois que os fabricantes de meios de
cultura começaram a comercializar os chamados meios
sequenciais, que já vêm suplementados com os
fatores de crescimento, dispensando o trabalhoso processo
de cocultura. Hoje a cultura e transferência de embriões
no estágio de blastocistos é realizada praticamente
em todas as clínicas.
A cultura para blastocistos também representou um
grande avanço e a principal ferramenta para se reduzir
a taxa de gravidez múltipla, sem diminuir a taxa
de êxito (bebê).